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sábado, 30 de outubro de 2010

XXXI Domingo do tempo Comum


O Evangelho (Lc. 19, 1-10) fala-nos do encontro misericordioso de Jesus com Zaqueu. O Senhor passa por Jericó, a caminho de Jerusalém! Uma multidão apinhava-se nas ruas por onde o Mestre passava e lá no meio da multidão encontrava-se um homem chefe dos publicanos e rico, bem conhecido em Jericó pelo seu cargo.

Os publicanos eram cobradores de impostos. O imposto era fixado pela autoridade romana e os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam. Isto prestava-se a arbitrariedades, razão pela qual eram facilmente hostilizados pela população.

São Lucas diz que Zaqueu procurava ver Jesus para conhecê-Lo, mas não podia por causa da multidão, pois era muito baixo. Mas o seu desejo é eficaz! Para conseguir realizar o seu propósito, começa por misturar-se com a multidão e depois, sem pensar no ridículo da sua atitude, correndo adiante subiu a um sicômaro para ver Jesus, que devia passar por ali. Não se importa com o que as pessoas possam pensar ao verem um homem da sua posição começar a correr e depois subir numa árvore. É uma formidável lição para nós que, acima de tudo, queremos ver Jesus e permanecer com Ele.

Que o Senhor aumente em nós o desejo sincero de vê-Lo! Eu quero realmente ver Jesus? – perguntava o Papa João Paulo II ao comentar esta mensagem do Evangelho –, faço tudo o que posso para poder vê-Lo? Este problema, depois de dois mil anos, é tão atual como naquela altura, quando Jesus atravessava as cidades e povoados da sua terra. E é atual para cada um de nós pessoalmente: quero verdadeiramente contemplá-Lo, ou não será que venho evitando encontrar-me com Ele? Prefiro não vê-Lo ou que Ele não me veja? E se já o vislumbro de algum modo, não será que prefiro vê-Lo de longe, sem me aproximar muito, sem me situar claramente diante dos seus olhos…, para não ter que aceitar toda a verdade que há nEle, que provém dEle?

Qualquer esforço que façamos por aproximar-nos de Cristo é amplamente recompensado. Disse Jesus: “Zaqueu desce depressa! Hoje Eu devo ficar na tua casa” (Lc 19, 5). Que alegria imensa! Zaqueu, que já se dava por satisfeito de vê-Lo do alto de uma árvore, ouve Jesus chamá-lo pelo nome, como a um velho amigo, e, e com a mesma confiança, fazer-se convidar para sua casa. Comenta Santo Agostinho: “Aquele que tinha por coisa grande e inefável vê-Lo passar, mereceu imediatamente tê-Lo em casa.” O Mestre, que tinha lido no coração do publicano a sinceridade dos seus desejos, não quis deixar passar a ocasião. Zaqueu descobre que é amado pessoalmente por Aquele que se apresenta como o Messias esperado, sente-se tocado no íntimo do seu espírito e abre o seu coração.

Zaqueu está agora com o Mestre, e com Ele tem tudo. Mostra com atos a sinceridade da sua nova vida; converte-se em mais um discípulo do Mestre.

O encontro com Cristo leva-nos a ser generosos com os outros, a compartilhar imediatamente com quem está mais necessitado o muito ou o pouco que temos.

“Hoje entrou a salvação nesta casa” (Lc 19, 9). É um convite à esperança: se alguma vez o Senhor permite que passemos por dificuldades, se nos sentimos às escuras e perdidos, temos de saber que Jesus, o Bom Pastor, sairá imediatamente em nossa busca. Diz Santo Ambrósio: “O Senhor escolhe um chefe de publicanos: quem poderá desesperar se ele alcançou a graça?” O Senhor nunca se esquece dos seus.

A figura de Zaqueu deve ajudar-nos a nunca dar ninguém por perdido ou irrecuperável.

Não duvidemos nunca do Senhor, da sua bondade e do seu amor pelos homens, por muito extremas ou difíceis que sejam as situações em que nos encontremos ou em que se encontrem as pessoas que queremos levar até Jesus. A sua misericórdia é sempre maior do que os nossos pobres raciocínios.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Igreja amordaçada pelo PT

Não é suficiente ter a fraternidade, é preciso ter comunhão

"Nós não podemos nos comprometer com a Fraternidade Católica e viver só com nossos carismas", disse o membro Executivo da Fraternidade Católica para a Oceania, Shayne Bennett, de Brisbane na Austrália, nesta sexta-feira, 29, durante o XIV Congresso Internacional da Fraternidade Católica das Novas Comunidades que acontece em Assis, na Itália.

Em seu discurso, Shayne afirmou que a Fraternidade Católica é uma clara fundação do Espírito Santo. "Deus ligou nossas pequenas comunidades fazendo uma relação com todo mundo. A fraternidade é um dom", enfatizou.

Segundo Bennett, a Fraternidade trouxe um grande crescimento para a Igreja Universal, mas também uma grande responsabilidade. Ele questionou: "Como utilizamos o carisma? Estamos utilizando o carisma fundador em nossa comunidade? Estamos colocando-o em ordem, está dando frutos?".

"Em Bogotá, o Cardeal Stanislaw Rylko, disse que o carisma produz afinidade espiritual e anima as comunidades e movimentos, e que é graças ao carisma original que cada fundador pode viver e reproduzir, em muitas pessoas, a experiência com Deus", relembrou Shayne.

Bennett abordou também o fato de que, em algumas partes do mundo, a Renovação Carismática Católica (RCC) esqueceu os carismas. "Não podemos escolher carisma aqui e ali, nosso papel é receber aquilo que o Espírito Santo tem para nós”, alertou. Ele exortou também que aqueles que têm Jesus como Senhor devem se submeter ao senhorio d'Ele, não podemos dizer 'Jesus é o Senhor' e falarmos para Jesus, faça o que eu quero".

O australiano disse que os membros da fraternidade vivem longe, mas têm o compromisso de crescerem juntos, e que uma das coisas mais importantes para as comunidades é convidar membros de outras comunidades para visitarem uma a outra. "Eu fiquei feliz quando Moisés Azevedo - Fundador da Comunidade Shalom - convidou-me para uma missão na Amazônia. Foi uma linda experiência", testemunhou.

Shayne expressou que os líderes das comunidades precisam trabalhar juntos, principalmente na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), e que quando alguma comunidade quer participar da fraternidade, eles perguntam que “carisma você tem a oferecer à fraternidade?”. Disse também que a missão dela não é só do conselho executivo, mas de cada membro das comunidades.

Bennett despertou os congressistas quanto a missão da comunidade, "às vezes nossas comunidades podem ser esperança num mundo cheio de crise". E recordou também as palavras do Papa Bento XVI aos bispos da Alemanha, por ocasião da JMJ: "tem muita gente que não conhece a Deus; não basta somente evangelizar, temos que fazer uma autêntica evangelização, fortalecer a fé".

Ao concluir seu discurso, Shayne disse que não é suficiente ter a fraternidade, é necessário elevar todas as forças para a comunhão, pois a responsabilidade da fraternidade é em unidade. "A Fraternidade Católica começou com três comunidades representantes, mas hoje ela chega a todos os continentes e nos abandonamos ao Espírito Santo, concluiu.


Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A infância espiritual

Um dos mais notáveis papas da Igreja foi, sem dúvida, São Leão Magno. Na esfera espiritual, ele permaneceu sempre firme defendendo as verdades do catolicismo frente às grandes heresias que sacudiram o século V e atuou, participando de discussões, encontros e concílios. Foi nessa época que escreveu um dos documentos mais importantes para a fé: a "Carta dogmática a Flaviano", o patriarca de Constantinopla, defendendo as posições ortodoxas do cristianismo.

"Pedro falou pela boca de Leão", disseram os teólogos da época que acabaram concordando com seus argumentos. Estão guardados mais de cem, dos seus sermões, além de cento e quarenta e três cartas contendo ensinamentos sobre a fé cristã, seguidos e respeitados ainda hoje. Um dos mais belos textos deste notável papa, falecido a 10 de novembro de 461, é sobre a infância espiritual. Segundo ele, a infância humana do Filho de Deus é para todos uma lição de humildade, Jesus que é um ideal a ser imitado A humildade foi sua companheira durante toda sua vida terrena, desde a manjedoura até a cruz. Ele mesmo mostrou que para se entrar no Reino dos Céus é preciso a humildade: “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus (Mt 18,3). Observa São Leão Magno que há um pormenor na ida dos reis magos até Belém que nem sempre é notado. Com efeito, “conduzidos pelo clarão de uma nova estrela para adorar Jesus, eles não o viram dominando os demônios, nem ressuscitando os mortos, nem restituindo a vista aos cegos ou o andar aos paralíticos ou a palavra aos mudos, nem exercendo nenhum de seus poderes divinos. Eles encontraram um menino silencioso, tranqüilo, confiado aos cuidados de sua mãe, nele não aparecendo nenhum sinal de poder. Ele, porém, mostrava somente um prodígio e, na verdade, grandioso, ou seja, sua humildade mesma”.

E fato, foi com sua humildade que Jesus venceu o mundo e satanás. Foi perseguido enquanto criança e terminou perseguido lá no Gólgota, tendo, antes, podido dizer: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Conclui São Leão Magno que isto significa viver no desprezo de si mesmo, na indiferença às honras, na igualdade de humor, na confiança mais absoluta somente em Deus e não confiando nas próprias forças. Razão tem este Papa, pois a humildade metafísica é a base de tudo. Somente Deus é o Absoluto e cada um é um ser contingente, limitado, pois existe, poderia não existir. Tudo que se tem vem do Ser Supremo donde a indagação de São Paulo: “O que tens que não recebeste. Se, porém, recebeste, porque te gloriares” (1 Cor 4,7) . Esta humildade é o alicerce da infância espiritual. Poucos santos como Santa Terezinha do Menino Jesus viveu este ideal que São Leão Magno pregou na sua aludida homilia. Esta santa sempre dizia que é Jesus que suscita em cada um o desejo de fazer de sua vida algo de grande, a vontade de seguir um ideal, a coragem de fugir da mediocridade, a determinação de se engajar com humildade e perseverança para se santificar e melhorar o mundo.

O caminho da infância espiritual pregada por São Leão Magno e vivida tão intensamente por Santa Terezinha tem, segundo os mestres espirituais, cinco elementos primordiais. Primeiro, grandes desejos, sede do amor infinito de Deus, anseios sempre mais intensos. Depois, reconhecer a própria incapacidade radical de os realizar e daí uma confiança total em Deus; compreender que Ele somente poderá preencher os desejos mais recônditos da alma de cada um; fazer pequenos esforços dentro dos limites de cada um, sabendo que a infância espiritual não é uma questão de generosidade, mas um ato de humildade e, finalmente, o abandono nas mãos do Pai do Céu. Estes cinco pontos são importantíssimos e são a dinâmica mesma do coração nesta via da infância espiritual proposta por São Leão Magno.

O cristão percebe então sua incapacidade pessoal de ser bom, de amar em plenitude a Deus e o próximo e se reconhece um ser frágil, mas ama sua fraqueza e sua vulnerabilidade. Os grandes santos compreenderam isto e diziam que viver a infância espiritual é suportar com doçura as imperfeições inevitáveis ao ser humano. Isto leva a entrar na dinâmica de relação com Deus, somente Ele santo e perfeito, sábio e todo-poderoso.

Quem apreende a beleza da infância espiritual pregada pelo papa São Leão Magno percebe que a santidade não se acha nesta ou naquela prática, mas consiste numa disposição do coração que torna o cristão humilde e pequenino nas mãos de Deus, consciente de sua pusilanimidade, mas convicto até à audácia da bondade do Pai amoroso. Tais as lições que se pode tirar da citada homilia de São Leão Magno.

Fonte: Catolicanet

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Igreja abraça mundo com caridade, não com poder, diz Papa


O Papa destaca que a presença da Igreja no meio do mundo é "fonte de confiança e esperança" e indica a Eucaristia como sinal de comunhão para toda a humanidade.

"Graças a ela, o Povo de Deus abraça 'todas as nações, tribos, povos e línguas' não com uma espécie de poder sagrado, mas com o serviço superior da caridade", explica.

O texto foi apresentado durante coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, que contou com a participação do presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Dom Antonio Maria Vegliò, e o subsecretário do mesmo dicastério vaticano, padre Gabriel Ferdinando Bentoglio.

O Santo Padre aponta a justiça e a caridade como colunas para a construção de uma paz autêntica e duradoura. Sobre a escolha do tema, diz que surgiu do vínculo profundo que existe entre todos os seres humanos e que as "sociedades que se tornam cada vez mais multiétnicas e interculturais" são um convite para uma serena e frutuosa convivência no respeito das legítimas diferenças.

"O caminho é o mesmo, o da vida, mas as situações por que passamos neste percurso são diversas", afirma. Nesse sentido, "a fraternidade humana é a experiência, por vezes surpreendente, de uma relação que irmana, de uma ligação profunda com o próximo, diferente de mim, baseado no simples fato de sermos homens".

"Somos de fato dependentes uns dos outros, todos responsáveis dos irmãos e das irmãs em humanidade e, para quem crê, na fé", complementou.


Direitos, deveres e estudantes

O Pontífice pede que todos os que são forçados a deixar suas casas sejam ajudados a encontrar lugares em que possam viver em paz e em segurança, trabalhar e assumir direitos e deveres existentes do país que os acolhe.

"Os Estados têm o direito de regular os fluxos migratórios e de defender as próprias fronteiras, garantindo sempre o respeito devido à dignidade de cada pessoa humana. Além disso, os imigrantes têm o dever de se integrarem no país que os recebe, respeitando as suas leis e a identidade nacional", acrescenta.

Por fim, Bento XVI fala sobre a realidade dos estudantes estrangeiros e internacionais, definindo-os como "'pontes' culturais e econômicas entre estes países e os que os recebem, e tudo isto se orienta para formar 'uma só família humana'".

"A cultura das novas gerações forma-se na escola e na universidade: depende em grande medida destas instituições a sua capacidade de olhar para a humanidade como para uma família chamada a estar unida na diversidade", conclui.